A brincadeira de amigo secreto é um dos maiores motivos de aflição nessa época do ano. Parece inevitável fugir de um grupo. Experimente ficar de fora daquele lá na firma! É quase certo ganhar a antipatia dos felizes participantes por séculos amém. E nem adianta dizer que a grana está curta, que está sem tempo e tal. Se não é no trabalho, há sempre uma chance de ter o seu nome nos papeizinhos entre a família ou num grupo de amigos. Quem sabe todos de uma vez só?
E há também o amigo secreto nos blogs. A Denise Arcoverde fez a chamada para o quarto ano consecutivo da troca de presentes entre leitores do Síndrome de Estocolmo. Neste ano resolvi deixar minha neura com cadastros de lado e estou participando. Bem bacana. Há dois grupos, num total de 76 pessoas envolvidas. Gente dos quatro cantos do planeta. Tudo muito bem organizado, feito a partir de um site, o amigo.secreto.com.br. A mecânica é a mesma da brincadeira convencional, só que tudo acontece pela internet. E tem sido muito curiosa a reação dos que pensam ser impossível dar certo. É claro que há sempre uma ou outra criatura indecisa que leva na brincadeira de fato e que acaba abrindo antes do final. Mas se depender de mim, ninguém fica sem presente. Já mandei o de quem tirei (o pacote da foto) e estou no aguardo pelo meu. E aprendi, um pouco tarde, que o melhor é seguir a indicação do valor estipulado, já que a despesa com envio de encomenda internacional pode sair pelos olhos da cara. Mas tá ó-te-mo.
Continuo insistindo na decoração. Dessa vez nossa lente se volta para a Praça do Ferreira.

Um dos pontos mais movimentados da cidade em qualquer época do ano, a praça ganha um ar mais família, digamos, na véspera do natal. Boquinha da noite, parar depois de um dia exaustivo para ver a apresentação do coral infantil na sacada do Excelcior é algo revigorante. Melhor ainda é combinar de encontrar amigos, família e agregados por lá. Bolhas de sabão ao vento, cheiro da pipoca fresquinha, algodão doce de todas as cores… Bem dizer uma quermesse! Tá certo que o repertório é batidinho, que rola um play back básico, mas vale a pena dar uma chegada lá. Vá por mim.
A decoração segue a mesma linha do que foi feito na Praça Portugal, que já mostrei aqui e que despertou vontades no Sampson Moreira de vir ver pessoalmente. Tudo faz parte do projeto Natal de Luz. Mas a Praça do Ferreira tem uma atmosfera diferente e isso fez com que a proposta também se diferenciasse. À primeira vista achei que houve uma espécie de privilégio ao espaço das Aldeotas e tal. Árvore maior, branco, tudo clean como pede o high society. Mas quer saber? Não vou entrar numas de que pobre é sempre sacaneado. A praça está linda com suas redes verdes e varandas vermelhas. No fundo, guarda suas características de mais aconchego, de tudo mais “desarrumado” e mais familiar.
As fotos fiz com o Duda já bem tarde, mas mesmo assim vocês devem ter repararado que havia gente por lá. É isso! A praça só se completa se há vida, movimento. O painel está mal e porcamente editado, mas a intenção foi das melhores. E foi uma graça encontrar o “Puliça”. O Adriano Batista, que você vê lá no alto, tem 29 anos e é o responsável pela segurança da árvore e do trenó do Papai Noel, num turno de 12 horas de trabalho madrugada a dentro.
Fotos: Duda Sousa e Maísa Vasconcelos