Para Mamíferos

18 jan

Mesmo em tempos de pouco papel e muitos cliques no teclado, dou o maior valor, e pulinhos de alegria, quando vejo uma revista nova exposta. Dia desses, perambulando pela Siciliano, me surpreendi com a capa aí do lado. A mais pura novidade, embora o lançamento tenha acontecido ainda em outubro do ano passado. Título, design, conteúdo: tudo me chamou atenção.

Para Mamíferos, no primeiro número, tem como editores [a prole, como eles se denominam] Glauco Sobreira, Jesus Irajacy, Nerilson Moreira, Pedro Salgueiro, Raymundo Netto e Tércia Montenegro. Percebeu o caráter literário da publicação? São 78 páginas, segundo o editorial sutil demais, dedicadas “a animais de sangue quente, que gostam de correr riscos, atrevidos por natureza e com sensório aguçado”.

Posso nem ter todo esse sangue quente, mas asseguro que é um deleite [trocadilho infame] ler a entrevista com Ana Miranda, com direito a “Bang Bang” no final. Para quem ainda não conhece, a revista traz a história do Teatro Radical Brasileiro. Salve, Ricardo Guilherme! Poder ler contos inéditos de Ernest Hemingway, além de conhecer o Poeta de Meia-Tijela, são só alguns dos prazeres ofertados no “menu”.

Não sou muito de guardar apetites, mas aceito o conselho. Que venha o próximo número!

Revista: Para Mamíferos
R$ 10,00
email: paramamiferos@gmail.com

2009 e as “melancia”

31 dez

Era uma vez um ano que tinha tudo para dar errado. Se marolinha ou tempestade, quem conseguiu remar o barco até aqui sabe que em alguns momentos nada deu certo mesmo. Mas a onda negativista lá do começo nem de longe se compara aos balanços que pipocam daqui e dali nesses últimos suspiros. Um dos setores que mais comemoram essa mudança é o da indústria automobolística: são quase três milhões de carros vendidos

IINDÚSTRIA AUTOMOBOLÍSTICA? Como assim? Esperaí, que não é assim não! Minhas suaves e sinceras desculpas, prezado leitor, mas, por mais que o calo me aperte se o tomate está caro, o MB nunca se propôs a ser um espaço para análises econômicas e afins. Nunca não. E depois, haja saco para tantas retrospectivas. Convenhamos, há quem faça isso muitíssimo melhor e sem tantos adjetivos e terminhos “condenáveis”, exaustivamente descritos nos manuais.

A verdade é que esse foi um intervalo de 365 dias de pouca conversa por aqui, de ausência mesmo. Fazer o quê se a vidinha lá fora trouxe um tom de prosa mais pesada? Além de termos tido bem dizer o nosso “bug” no condomínio do BlogueIsso! Blogs, quando um erro técnico nos obrigou a rearrumar a casa, a facilidade do Twitter nos aproximou em 140 caracteres.

Está certo que é clichê, mas é final de ano e eu ainda hei de conquistar o direito de poder fazer e dizer besteira, 2009 foi ano de muitos encontros e desencontros. Foi tempo de colher no amor, na vida profissional, na família, com os amigos queridos. Mas também foram dias de levar bordoada, que aprendizado é coisa lenta. Jogando na balança de todo dia, saímos ganhando, penso. O suficiente para desejar dar passos mais firmes daqui por diante.

E, para fechar o post-sem-pé-nem-cabeça, pra não dizer que não falei de bunda e de mulher pelada [os grandes responsáveis pela vinda de muita gente besta até aqui], e ainda aproveitando que a Andressa Soares, a Melancia em pessoa, posou pela enésima vez para a Playboy neste 2009 já quase velho, me despeço do ano com uma frase ímpar, dita por uma bêbado lá do Recife, segundo conta um professor que tive:

É no andar da carroça que as melancia se ajeita.

Un cadeau pour toi

7 dez

Felipe Abud é repórter fotográfico dos mais sensíveis e criativos. Em Fortaleza, passou pelas redações do extinto Tribuna do Ceará, Diário do Nordeste e, mais recentemente, pelo jornal O POVO, além de ter sido cinegrafista da TV Diário. Mas foi numa agência de propaganda que descobriu o amor pela fotografia. Ainda adolescente, finalzinho dos anos 70, trabalhava no laboratório da MPM no Rio de Janeiro. Por lá, ficou 10 anos.

E é este mais ou menos o tempo que o conheço mais de perto. Gente boa demais, dispara sorrisos fáceis e sinceros. Outro dia tive que controlar minha inveja ao vê-lo faceiro, língua de fora, brincando feito criança pelas ruas de Paris com Janaína Taillade, a sobrinha torta, que é sua mulher. Como o amor não tira férias, o moço fez o que mais sabe fazer: fotografou a Cidade Luz!

Agora recebo email contando da iniciativa, sem êxito, de tentar fazer uma exposição com o que trouxe. Mesmo sendo 2009 o Ano da França no Brasil, não conseguiu patrocínio para ir adiante. Pois sabe o que mais? Felipe resolveu compartilhar o que registrou, enviando parte das fotos para uma lista de conhecidos, com o pedido de que fossem repassadas a outros. Feito!

Não só encaminhei como divido aqui com você no MB umas poucas que selecionei. Imagine aí como foi difícil escolher entre as 113 que recebi! Bom, mas, além de convocar você para que replique as fotos, lembro que dar crédito é de lei. No mais, ganhamos todos, penso.

É hora do #freeemilio pra valer

7 dez

So.li.da.ri.e.da.de s.f. 1 cooperação mútua entre duas ou mais pessoas 2 fig. interdenpendência 3 identidade de sentimentos, de ideias, de doutrinas

Um substantivo pode repousar na estante da vidinha real indefinidamente. Ou não. Embora haja tantos outros a nos distanciar do verbo, do olhar para o outro, chega uma hora em que é preciso a-ti-tu-de.

Acompanho desde o início o caso do Emílio Moreno, estudante de jornalismo processado devido a um comentário anônimo feito no blog Liberdade Digital, do qual é editor. Penso que o desenrolar do processo poderia ter tido um final distinto do que teve, com a condenação de pagamento da quantia estratosférica de R$16mil. Mas discutir isso para quê? O que posso fazer é acreditar que há formas de continuarmos essa discussão.

Nos encontros entre um grupo de blogueiros-tuiteiros [Hélcio Brasileiro, Gabriel Ramalho, Glauber Uchoa, Emílio Moreno e eu própria], vimos que não podemos nos ater apenas a este caso. Há muito mais para ser conversado, entendido.

Na semana passada, demos um passo importante nesse sentido com a realização do debate em Fortaleza sobre o Marco Regulatório da Internet no Brasil. Somos atores de um processo em curso e precisamos trocar ideias, compartilhar dúvidas, ouvir, ouvir, falar, falar e falar exaustivamente se for necessário. As repercussões têm sido as melhores. Recebi email de gente que se inquietou e partiu para tentar entender mais sobre a questão; vi outros curiosos; ouvi comentários de quem não esteve lá, mas que de alguma forma quer levar o tema adiante. Há movimento por parte da imprensa… Bingo!

Por outro lado, Emílio continua com a dívida. É só dele? Talvez sim, talvez não. De minha parte, tomo-a para mim também. E faço até uma correção do que disse antes: ainda somos aprendizes de atores nesse espetáculo da comunicação eletrônica. Há muito o que aprender. Nem só de palavras, o Emílio precisa agora de grana para respirar aliviado. Bora contribuir? É só clicar aí no quadro

Na rua, no trabalho, na lan house…

1 dez

Não importa onde, nem como, queremos estar cada vez mais conectados. Então, vamos jogar as mãos para o céu, afinal já somos uma besteirinha em torno de 50 milhões de brasileiros usuários da Internet. E daí? Daí que nunca deu muito certo isso de juntar tanta gente numa mesma brincadeira sem que regras claras fossem conversadas antes do “um, dois, três, valendo”.

Prova disso na rede são os processos judiciais que se multiplicam, como no caso do Emílio Moreno, condenado a pagar o que não tem por não ter percebido antes que rejeitar, deletar, excluir, e sinônimos outros para o que chamam de “moderar comentários” pode ser a única forma de livrar-se de pendengas jurídicas. Eu mesma quase caio na armadilha. O exemplo dele livrou-me do infortúnio, saiba.

Uma DR não faz mal a ninguém

Pois se há sempre um tempo para tudo, está na hora de discutir essa relação. Qual? A minha, a sua, a nossa relação… com a própria. Sim, porque tem gente que pensa que a rede só balança para um dos lados e ainda não se dispôs a perceber que nem tudo é normal.

Pra começar, para que tudo seja lindo na Internet, vai depender de como somos, da responsabilidade que temos conosco e com os demais. E bote aí mais um rol de coisinhas para as quais muitos não estão preparados. Aqui, um parêntese, após os dois pontos: {Eu já disse que abomino os anônimos, os covardes que pensam esconder-se de si mesmos ao jogar seu ódio nos comentários?} Fecha parêntese, que a intenção não é incitar ódios e violência, mas sim falar do Marco Civil da Internet no Brasil.

Na semana passada, uma reunião informal entre blogueiros-tuiteiros resultou na organização de um encontro, um debate, onde possamos expressar dúvidas, juntá-las às dos demais e, quem sabe, discutir possibilidades reais de contribuição à iniciativa do governo federal, que lançou o projeto do Marco Civil da Internet no Brasil. Não somos ligados a organizações públicas ou privadas. Como tantos, somos um grupo de leigos, de gente que quer entender mais. Por isso o start nessa discussão.

Então, vamos lá! Próxima quarta-feira, 02 de dezembro, temos um encontro em forma de desconferência aberta, com participação do advogado Cristiano Therrien, do Professor Vasco Furtado, interferência de quem quiser e puder chegar lá, com a mediação do jornalista Plínio Bortolotti e apoio fundamental do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura.

Agende-se! Divulgue! Bora discutir essa relação?

Ajudada pela rede, claro, transcrevo algumas linhas biográficas dos nossos convidados:

* Vasco Furtado – Cientista e professor em computação da Universidade de Fortaleza, doutor em Inteligência Artificial na Université d’Aix Marseille III, França, com pós doutorado na Universidade de Stanford, EUA. Analista de Tecnologia da Informação da ETICE. Desenvolve pesquisas em computação prioritariamente aplicadas ao contexto da Segurança Pública.

* Cristiano Therrien – Advogado especializado na área de Tecnologia da Informação; mestre em Informática Jurídica e Direito da Informática pela Universidade Complutense de Madri; professor universitário de Direito da Tecnologia da Informação; coordenador de TI da Prefeitura Municipal de Fortaleza; coordenador de projetos de inclusão sóciodigital.

* Plínio Bortolotti – Jornalista. Editor institucional do Grupo de Comunicação O POVO e integrante do Conselho Editorial do jornal. Foi ombudsman do jornal por três mandatos (2005/2007). É diretor da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji).

Contatos com os organizadores:
Maísa Vasconcelos, jornalista – @maisanablogo
Gabriel Ramalho, publicitário – @gabsramalho
Hélcio Brasileiro, jornalista – @helcio
Glauber Uchoa, jornalista – @glauberuchoa
Ivan Ferraro, produtor cultural – @ivanferraro

Serviço:
Marco Civil da Internet – o debate já começou
Dia: 02 de dezembro de 2009
Local: Auditório do Centro Dragão do Mar de arte e Cultura
Horário: 19h

O tempo não pára

21 mar

A noite passada estive com Mel Gibson. Lindos e profundos olhos azuis, pele bronzeada, topete impecável, calça e camisa… e aquele olhar penetrante! Semblante entristecido. Também pudera! O resultado desastroso de uma experiência fantástica fez com que viajasse no tempo por longos 50 anos. É sempre assim: vejo a primeira cena e fico ali naquela briguinha interior do vou não vou pra cama. Se tem coisa pior para insones em busca de fazer as pazes com Morfeu do que ligar a TV justo na hora do Intercine alguém que diga agora ou cale-se para sempre. Pois é, se o sono não vem, qualquer filme Z já é motivo para ser feliz. Não que Eternamente Jovem mereça essa classificação. Acontece que a trama se arrasta lenta demais e talvez até seja justamente essa a intenção.

E eu lembrei disso lendo sobre um incidente nada a ver com ele e vendo uma foto atual. É que nas cenas finais do filme, vi um Mel Gibson com praticamente as mesmas rugas que vejo agora. A maquiagem usada é verdadeiramente uma projeção do que será dentro de mais alguns anos, se assim o ator nos permitir. Holywood pode até não aceitar mas o tempo não pára não.

Meliantes

21 mar

Que tal ter o seu cartão do banco clonado justo na véspera do feriadão? Anote aí mais um pecado, meu querido: santa não é a quinta-feira, sou eu mesma por ter de suportar o calvário da burocracia e da incompetência dos que acham que polícia pode “imprensar” feriado. Tenho dito.